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Cardiopatia Congénita Pediátrica: Causas, Monitorização e Tratamento
Definição
Defeito cardíaco desenvolvido in utero. Gravidade variável: desde pequeno defeito septal (pode fechar sozinho) até malformações complexas (coração univentricular, transposição). Monitorização contínua essencial — alguns sintomas surgem só anos depois.
Genética: Principal Fator
- Histórico familiar forte.
- Associação com síndromes genéticas: Down (trissomia 21 → DSV, CAV), Noonan (estenose pulmonar, HCM), Marfan (aneurisma aorta, prolapso mitral), Turner (coarctação, valva aórtica bicúspide), 22q11 (tetralogia Fallot, arco aórtico interrompido).
- Testes genéticos (cariótipo, microarray, painel NGS) indicados em muitos casos.
Outros Fatores Maternos
- Álcool (síndrome alcoólica fetal — DSV, DSA, PCA).
- Medicamentos teratogénicos: isotretinoína, litio, antiepilépticos, talidomida, inibidores ECA/BRA (2º/3º trimestre).
- Diabetes materna mal controlada (↑ cardiopatias conotruncais).
- Rubéola materna (1º trimestre).
- Obesidade materna, fenilcetonúria não tratada.
Sintomas Comuns (Variam com Defeito)
- Dispneia aos esforços / alimentação
- Cianose (lábios, leitos ungueais) — se shunt direita-esquerda
- Edema mãos/pés / face
- Falha de crescimento (peso/estatura)
- Sopro cardíaco (achado frequente em consulta rotina)
- Sudorese excessiva, irritabilidade, cansaço na mamada
Complicações Potenciais
- Crescimento retardado / desenvolvimento neuropsicomotor atrasado
- Infeções respiratórias recorrentes
- Arritmias, ICC, hipertensão pulmonar (Eisenmenger se shunt grande não corrigido)
- Morte súbita (defeitos complexos não corrigidos)
- Impacto psicossocial / qualidade de vida
Tratamento: Individualizado
- Observação: defeitos pequenos assintomáticos com alto potencial fecho espontâneo (PCA prematuro, DSV muscular pequeno, DSA pequeno).
- Farmacológico: diuréticos, IECA, betabloqueadores, prostaglandinas (ducto-dependentes), anticoagulação.
- Intervencionismo percutâneo: fecho device (DSA, PCA, DSV), valvuloplastia balão (estenose pulmonar/aórtica), stent coarctação.
- Cirurgia corretiva: maioria defeitos moderados/graves (idade ideal varia: neonatal a lactente).
- Paliativa: shunt sistémico-pulmonar (Blalock-Taussig) se correção não viável imediata.
- Transplante: miocardiopatia terminal, defeitos não corrigíveis com ICC refratária.
Seguimento Vitalício
Transição para cardiologista de cardiopatia congénita do adulto. Vigilância: função ventricular, valvas residuais, arritmias, capacidade exercício, gravidez, endocardite, necessidade reintervenção.