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Teoria de enfermagem pós-positivista
Contexto
Enfermagem expandiu-se como profissão, acompanhada pelo desenvolvimento de teorias de enfermagem — contraditórias e controversas. Uma tendência é o pós-positivismo.
Teoria pós-positivista
- Não apenas fenômeno de enfermagem; tendência teórica/filosófica geral
- Positivismo enfatizava "objetividade" e predominou na teoria de enfermagem até anos 1960
- Pós-positivismo questiona noção de "objetividade" quanto a viés do observador — não apenas no que é observado, mas na seleção do que é digno de observação
- Reconhece que todo conhecimento é teoricamente carregado (theory-laden) e falível
Questionamento de hierarquias
- Aborda certeza científica e protocolos médicos
- Acusa positivismo de ser linear, rígido, mecânico, até autoritário
- Rigidez disciplinar acadêmica criticada; preferem abordagem interdisciplinar e flexível ao cuidado ao paciente
- Valoriza conhecimento situado, contextual, experiência vivida
Colaboração
- Enfatiza relação colaborativa entre provedores de cuidado e pacientes
- Incentiva participação do paciente no desenvolvimento de planos de tratamento e acompanhamento
- Cuidado centrado na pessoa (person-centered care) / tomada de decisão compartilhada
Não é anti-ciência
- Pós-positivismo critica positivismo, não rejeita ciência
- Método científico ainda em alta estima; pós-positivistas se veem como reformadores do positivismo
- Busca ciência mais reflexiva, crítica, inclusiva
Principais autores/referenciais
- Karl Popper (falibilismo, falseabilidade)
- Thomas Kuhn (paradigmas, revoluções científicas)
- Imre Lakatos (programas de pesquisa)
- Na enfermagem: Parse, Newman, Watson, Smith, Meleis — perspectivas humanistas/post-positivistas
Aplicação prática
- Pesquisa qualitativa (fenomenologia, teoria fundamentada, etnografia)
- Prática baseada em evidências ampliada: evidência + contexto + preferência do paciente
- Ética do cuidado, vulnerabilidade, justiça social