Deficiência de Artemis é uma forma rara autossômica recessiva de imunodeficiência combinada grave (SCID) causada por mutações no gene DCLRE1C (cromossomo 10p). A proteína Artemis é essencial para a recombinação V(D)J—o processo que gera receptores diversos de células T e B—e para a reparação de quebras de fita dupla de DNA via união de extremidades não homólogas (NHEJ).
Triagem neonatal (ensaio TREC) detecta baixas células T. Confirmação: citometria de fluxo (contagens CD3+, CD19+), testes genéticos para mutações em DCLRE1C.
Transplante de células-tronco hematopoiéticas (HSCT) de um doador compatível é curativo. Melhores resultados com transplante precoce (<3,5 meses) e condicionamento de intensidade reduzida. Terapia gênica (vetor lentiviral) está em ensaios clínicos. Cuidados de suporte: reposição de imunoglobulinas, profilaxia antimicrobiana, evitar vacinas vivas.
O diagnóstico precoce via triagem neonatal melhora dramaticamente a sobrevivência.